A história do motociclismo mundial é dividida em antes e depois de 1968. Foi naquele ano, no Salão de Tóquio, que a Honda apresentou ao mundo a CB 750 Four. O modelo não apenas definiu um novo padrão de performance, como forçou a criação de um termo inédito: a Superbike.
1. O Nascimento de uma Lenda: A CB 750 Four
Até o final da década de 60, o mercado era dominado por máquinas europeias, muitas vezes temperamentais e com manutenção complexa. A Honda, sob a visão de Soichiro Honda, decidiu quebrar esse paradigma.
- Lançamento Mundial (1969): A CB 750 trouxe o primeiro motor de quatro cilindros em linha de grande produção, comando de válvulas no cabeçote (SOHC) e, de forma revolucionária, o freio a disco na dianteira — tecnologia até então restrita a aviões e carros de corrida.
- Dados Técnicos Originários: O motor de 736 cm^3 entregava 67 cv a 8.000 rpm, permitindo que a moto ultrapassasse os 200 km/h, uma marca astronômica para a época.
2. A Evolução para a CBX 750F: A "Sete Galo"
Na década de 80, o mercado exigia mais aerodinâmica e tecnologia. Em 1983, surgia a CBX 750F na Europa e Japão. Diferente de sua antecessora, ela trazia o motor DOHC (duplo comando no cabeçote) com 16 válvulas e ajuste hidráulico de tuchos, eliminando a manutenção frequente.
O Lançamento no Brasil
Enquanto o mundo já conhecia a CBX, o Brasil vivia sob restrições de importação. Foi em 1986 que a Honda nacionalizou a CBX 750F, adaptando-a para a realidade local.
- A Origem do Apelido: No Brasil, a moto tornou-se imortal como "Sete Galo". O nome deriva do jogo do bicho, onde o número 50 (da 750) corresponde ao Galo.
- Versões Icônicas: A primeira versão nacional, conhecida como "Black Magic" (1986), é até hoje uma das mais cobiçadas. Em 1990, a moto recebeu atualizações visuais e passou a ser chamada de "Indy", com uma carenagem integral que oferecia mais conforto em viagens.
3. Ficha Técnica e Evolução
A evolução técnica permitiu que a CBX se mantivesse competitiva por quase uma década no mercado nacional:
- Motor: 4 cilindros em linha, DOHC, 16 válvulas, refrigeração a ar com radiador de óleo.
- Potência: Aproximadamente 82 cv a 9.500 rpm.
- Câmbio: 6 marchas.
- Suspensão: Sistema TRAC (Anti-dive) na dianteira para evitar o mergulho em frenagens e suspensão Pro-Link na traseira.
4. O Encerramento e o Status de Clássica
A produção da CBX 750F no Brasil encerrou-se em 1994, deixando o posto para a CB 1000 "Big One". No entanto, o fim da linha de montagem foi apenas o começo de sua vida como mito.
A paixão que estas motocicletas despertam reside no equilíbrio perfeito entre força bruta e elegância. O ronco do motor de quatro cilindros — descrito por muitos como uma sinfonia — tornou-se a assinatura sonora de uma geração que via na "Sete Galo" o ápice do status e da liberdade.
Até hoje, unidades bem conservadas alcançam valores de mercado superiores aos de muitas motos 0km, sendo objeto de desejo tanto de colecionadores quanto de jovens entusiastas que buscam a essência do motociclismo purista.
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